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O Psicanalista

"O ofício de Psicanalista, para mim, é uma questão ontológica." Fabio Sousa

Entrevista: o suicídio

Por Fabio Sousa, 10/09/2015



Dr. Alberto Filho, advogado, entrevista o Dr. Fabio Sousa, psicanalista

Alberto Filho: O que é o suicídio, apenas a morte provocada pelo próprio indivíduo, é doença, o que é preciso entender?

Fabio Sousa: O suicídio ocorre quando a pessoa promove a própria morte do corpo, direta ou indiretamente, rápida ou lentamente. Assim, alguém pode matar-se de modo drástico e rápido, mas pode também aniquilar a vida somática através de hábitos como o uso de drogas ou a má alimentação. Há um problema em não atentarmos para o segundo caso, o do suicídio gradual, pois vitima bem mais do que se imagina e é um entrave a ser resolvido: expressa conflitos assim como o suicídio ligeiro.

 

Alberto Filho: Nascimento, vida e morte, três substantivos intrinsecamente ligados. Um começo com um desenvolvimento e um fim lógico. Uma lei natural imutável para todos os seres vivos como também para os astros, os planetas. O nascimento é um fato celebrado com alegria e entusiasmo, do outro lado, a morte é outro fato natural para o ser humano que independentemente de sua vontade acontecerá, porém todos esperam ter uma longa vida saudável e feliz. Assim as pessoas se relacionam, constroem vínculos diversos com outras ou com certos objetos, animais, lugares, e o evento morte é colocado em um ponto distante. Geralmente, apenas em momentos decisivos recorda-se da morte como um evento real, especialmente no instante atual da sociedade contemporânea onde o belo, a juventude, a virilidade são oferecidos nas vitrines e nos programas de televisão ou então são facilmente encontrados nas lojas, na rua, em qualquer ponto que se vá, e é aguçado o desejo da vida perfeita; seria este um fator para o suicídio ou não há relação? Nos casos de suicídio o que está sempre presente?

Fabio Sousa: A desesperança, filha da falta de fé ardente em algo consolador, está sempre presente nos casos de suicídio. Nas pessoas cuja tendência suicida exista, a supervalorização das coisas materiais pode desencadear o processo que terminará de modo trágico, sim, mas isso não é uma regra constante, absoluta. Quanto a uma vida perfeita, quem a tem?: Ninguém: vivemos num mundo cheio de imperfeições e injustiças: que possamos trabalhar para melhorá-lo, e então nos auxiliaremos uns aos outros e os casos de autoassassinato serão cada vez mais raros.

 

Alberto Filho: O suicídio é uma questão social ou pessoal?

Fabio Sousa: Ambas as coisas. Numa sociedade mais justa, onde o orgulho e o egoísmo não imperem, certamente os casos de suicídio seriam bem menores, talvez raros, porque no suicida sempre haveria a esperança de poder contar com alguém ou algo que o salvasse do pior. É possível também que, ao saber de casos como estes, pessoas sejam estimuladas a agir do mesmo modo, num fenômeno de encorajamento doentio.

É necessário identificar o mais remotamente possível tendências suicidas, que se revelam com frequência em atitudes de autoflagelação psíquica ou corporal e por lapsos de fala onde a pessoa revela o desejo da morte ou uma certa desesperança que pode levá-la a matar-se. Às vezes tais fatos passam despercebidos pelos circunstantes de sua maior convivência... Também torna-se preocupante quando alguém já tentou suicidar-se antes. Todos esses casos devem ser tratados por profissionais especialistas no auxílio da resolução dos conflitos ou doenças causadores de tais angústias, como psicanalistas, psicólogos ou até psiquiatras.

 

Alberto Filho: O que falta ao suicida?

Fabio Sousa: A dose maior de esperança na alma, para que tenha a certeza de que, cedo ou tarde e de um jeito ou outro a causa da angústia será resolvida sem que faça-se necessário lançar mão de um ato extremo.

 

Alberto Filho: A maioria das religiões condena o suicídio. A Bíblia Sagrada traz a vida como o bem mais precioso ao homem... O Livro dos Espíritos levanta questão sobre o suicídio. Resumindo, ambos os textos revelam que a vida é um bem indisponível e tirar a própria vida é uma atitude abominável condenada por Deus, exceto o suicídio altruísta. Falta aos suicidas um temor reverencial? Ressalvado o caso daqueles privados de consciência, todos os suicidas pagarão uma pena por esse ato, enfim, os suicidas são pessoas distantes de Deus ou isso independe de orientação religiosa e é uma questão relacionada à consciência individual?

Fabio Sousa: O que falta ao suicida é a esperança – e a religião pode acendê-la, na medida que aviva a sua fé.

 

Alberto Filho: Fala-se muito atualmente em depressão, qualquer comportamento triste é logo tachado como depressão, enchem-se os consultórios ou o socorro é conquistado na farmácia mais próxima. Qual a relação entre a depressão e o comportamento suicida? Como distinguir tristeza e depressão? Ambas as situações são determinantes ou para o suicida isso independe e ele cometerá suicídio simplesmente por não saber controlar sua frustração?

Fabio Sousa: A depressão pode estar associada ao comportamento suicida, mas isso não é uma regra também. Ela vem acompanhada de uma tristeza angustiante peculiar que se estende no decorrer do tempo e precisa de diagnóstico médico e muitas vezes de tratamento farmacológico associado a psicoterapia. Ninguém está fadado ao suicídio: é possível evitar esse flagelo em todos os casos. A atuação de instituições como o CVV, por exemplo, é fundamental para isso – e das religiões também (quando promovem a esperança e não castram as pessoas).

 

Alberto Filho: Qual a influência religiosa nos casos de suicídio? Há alguma relação entre os casos de suicídio e a religião, quero dizer quando ela falta ou quando está muito presente?

Fabio Sousa: Essa relação pode existir quando uma religião castra alguém – inclusive e principalmente no que se refere a sua sexualidade. Quando as religiões deixarem, em diversos casos, de julgar e condenar e passarem a abençoar e alimentar a esperança pautadas na razão e no verdadeiro sentimento de fraternidade, isso estará resolvido na face da Terra.

 

Alberto Filho: O suicídio exterioriza da forma mais drástica “a fraqueza individual” de superar problemas, encontrar respostas, caminhos alternativos para aquela ou todas as dificuldades que incomodam a pessoa naquele momento ou durante um tempo considerável. Em períodos de crise os suicídios tendem a aumentar por as pessoas estarem despreparadas para aquela situação transitória ou diferente da anterior mais confortável. Você pode comentar sobre isso?

Fabio Sousa: Que a pessoa que deseja suicidar-se procure ajuda para não fazê-lo: há sempre uma solução menos dolorosa que esta. Que a sociedade desenvolva uma cultura de paz, trabalhando o orgulho e o egoísmo das populações a fim de transmutá-los em humildade e caridade, suas virtudes opostas. Que cada um conheça-se a si mesmo. São regras preventivas de suicídio que valem para qualquer situação.

 

Alberto Filho: Como resolver o problema do suicídio se ele é um ato de autodestruição e cabe à pessoa escolher o autoextermínio ou procurar respostas?

Fabio Sousa: Utilizando as ferramentas que demonstrei na resposta da pergunta anterior.




VÍDEO: ENTREVISTA DE FABIO SOUSA AO PORTAL SG A RESPEITO DA SEXUALIDADE

Por Fabio Sousa, 18/04/2014



O psicanalista e escritor Fabio Sousa concedeu uma entrevista sobre sexualidade à jornalista Nathalia Beserra, do Portal SG. Confira o vídeo:



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Fabio Sousa

Escritor, Psicanalista, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência.

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