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Entrevista do escritor Fabio Sousa ao blog Livros, Amor e Música

Por Fabio Sousa, 01/06/2015



Confira minha entrevista à equipe do blog Livros, Amor e Música:

 

Idade?

34 anos.

Quando você começou a se interessar pela escrita?

Desde criança, quando era pequeno. Escrevi meu primeiro livro durante uma greve na Escola Cosme de Farias, no bairro de Salvador do mesmo nome. Eu tinha oito anos e, naquela época, quando os professores sabiam que seria deflagrada uma greve, passavam uma lista de exercícios; na parte de Língua Portuguesa, o último quesito era simplesmente “escreva uma história”... Eu comecei a tecer a trama e, como a suspensão das aulas durou mais de um mês, compus meu primeiro romance, que contava a saga de meninos que se perdiam na Floresta Amazônica. Apesar da minha professora ter feito alarde nas turmas em que lecionava no colégio, o que me granjeou certa inveja de muitos colegas, a obra foi perdida.

Quando você decidiu escrever o seu primeiro livro publicado?

O meu primeiro livro publicado chamava-se Um Anjo Artístico Bissexual e eu decidi escrevê-lo quando, saindo de Campo Formoso, interior da Bahia, para retornar a Salvador, não aguentava fazer nada que não fosse escrever. Tinha trabalhado como office boy durante alguns meses e um belo dia decidi pedir as contas, comprar uma máquina de escrever de segunda mão e compor uma obra literária. Era um romance que contava a estória de um anjo bissexual que reencarnou na Terra para cumprir uma missão nas artes – e se passava principalmente em Salvador. Não gosto do livro como está escrito até agora porque, na época, ouvi apenas religiosos sobre o tema, por falta de experiência, e acabei dizendo que era antinatural a tendência à homossexualidade. Que ridículo! Eu fiz o livro quando tinha apenas dezoito anos. Carrego comigo o compromisso de reescrevê-lo e relançá-lo num formato mais atraente e consentâneo com aquilo que eu penso sobre o assunto. Mas o texto, excetuando-se este detalhe, é muito interessante.


Por que você resolveu se tornar escritor?

É interessante o fato de que, pelo menos nesta encarnação, eu nunca deixei de me sentir escritor. Então, não sinto como se num dado momento eu tivesse me tornado um escritor, mas que simplesmente decidi escrever.

O que eu gosto é que as pessoas estão começando a me reconhecer como tal. Lembro que uma das maiores emoções da minha vida foi quando as pessoas começaram a me reconhecer como poeta, porque a poesia para mim é como uma verdadeira deusa, a literatura para mim é uma divindade que rege minha cabeça, é como um orixá.

 

Quando era criança, qual era o seu sonho?

Quando eu era criança, sonhava com um mundo melhor, onde as pessoas se respeitassem. Sofri muito bullying na infância: porque era inteligente, porque na época eu era considerado muito “feminino”, porque não fui criado com um pai e minha mãe era solteira... Isso fez crescer em mim o ideal de fraternidade, que ultrapassou qualquer sonho de interesse apenas pessoal.


Quem o inspirou para escrever?

O impulso de escrever, em mim, sempre foi um instinto muito bem caracterizado, que não precisou de inspiração de pessoas para existir. Mas há ideias, coisas que me inspiram, como a democracia sexual e racial, o amor, a reencarnação e os poderes psíquicos, a filosofia e as artes, além de sentimentos que algumas ocorrências me despertam.


Você tem algum autor favorito? Quem?

Chico Xavier. Para mim, ele coproduziu as maiores pérolas da literatura mundial. Os livros de Chico Xavier têm profunda influência sobre mim, sobre meus textos; nele, a literatura se tornou sublime de uma forma que não víamos há séculos! Eu acho que a obra literária de Chico Xavier há de ser reconhecida, daqui a algum tempo, como um dos melhores conjuntos textuais já produzidos na história da humanidade. No Brasil, por exemplo, ele é o escritor mais vendido, ultrapassando os 50 milhões de exemplares comercializados. Para mim, ele é fenomenal.

 

Você é fã de alguma série ou trilogia de livro?

Sim: da série Há 2000 Anos, de Chico Xavier pelo Espírito de Emmanuel, composta por este livro que lhe dá nome e pelos romances 50 Anos Depois, Ave, Cristo! e Renúncia. Estas obras simplesmente mudaram a minha vida e possuem uma beleza estilística de cair o queixo. É a melhor de todos os tempos, superando até mesmo Harry Potter ou Crepúsculo.

Você tem vontade de escrever outro livro? Já tem planos para ele?

Sim, eu já tenho pelo menos mais quatro livros na cabeça e devo logo logo começar a escrever a próxima obra.


Muitos escritores dizem que as pessoas eram contra o seu trabalho. Acontece ou já aconteceu com você?

Com certeza. Lancei Um Anjo Artístico Bissexual em 2001 e causou um certo impacto em muita gente que era avessa ao tema; vi até mesmo pessoas que julgaram a obra apenas pelo título, ou seja, superficialmente. Quando publiquei Peregrinação Interior: Transcendência, houve quem dissesse que eu estava místico demais.

Eu estou acostumado com este tipo de coisa, pois, como disse, desde criança tive que conviver com criaturas que querem me destruir. Eu só peço à divindade que me dê sabedoria para lidar com todas elas, até porque existem aqueles que me amam, gostam do meu trabalho e que me querem bem.


Equipe Livros, Amor e Musica
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VÍDEO: ENTREVISTA SOBRE HOMOSSEXUALIDADE NO PORTAL SG

Por Fabio Sousa, 22/05/2014



O escritor e psicanalista Fabio Sousa concedeu uma interessante entrevista para o Portal SG, com a jornalista Nathalia Beserra, a respeito da #homossexualidade. Confira:



VÍDEO: ENTREVISTA DE FABIO SOUSA AO PORTAL SG A RESPEITO DA SEXUALIDADE

Por Fabio Sousa, 18/04/2014



O psicanalista e escritor Fabio Sousa concedeu uma entrevista à jornalista Nathalia Beserra, do Portal SG, a respeito da sexualidade. Confira o vídeo:



ESCRITOR E PSICANALISTA FABIO SOUSA É ENTREVISTADO PARA MONOGRAFIA DE CONCLUSÃO DE CURSO DE DIREITO

Por Fabio Sousa, 10/01/2014



O escritor e psicanalista Fabio Sousa, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência, concedeu entrevista a Alberto Filho, bacharel de Direito da UNEB – Juazeiro para compor a sua monografia de conclusão do curso. A monografia de Alberto Filho fala sobre técnicas de reprodução assistida, abordando o direito de família e as relações entre casais homoafetivos.

Confira, na íntegra, a entrevista:

ALBERTO FILHO: A historia indica que o conceito de família não é estático e atualmente aceita-se ser a sua composição aberta. O instituto da adoção, a família monoparental, constituída por um dos pais apenas, e as técnicas de reprodução assistida balançam qualquer construção monolítica e comprovam essa afirmação. Em passado recente, apenas a família construída pelo casamento era reconhecida pelo Estado, não evitando que as pessoas construíssem relacionamentos diferentes do casamento cumprindo o mesmo papel que a família formalmente criada, essa pressão social culminou com seu reconhecimento pelo Estado. Quais as principais causas de desestabilidade familiar encontrada hoje?

FABIO SOUSA: Penso que as instabilidades familiares de todos os tempos, que afetam toda a organização social de uma forma ou de outra, se devem a dois fatores primordiais: às dificuldades pessoais dos seus membros e ao preconceito. A ausência de habilidades dos indivíduos que compõem a família em conviver harmonicamente pode gerar conflitos de vária ordem no seio desta instituição basilar, sendo, portanto, mais ou menos um fator de desestabilização endógeno, enquanto os preconceitos, que são pais da discriminação, da intolerância e outros afins, são fatores de desestabilização exógenos, relativamente, que geram perturbações.

Não devemos nos esquecer, no entanto, que a caminhada do ser humano é extremamente dialética, e que, portanto, os desafios farão parte de qualquer existência.

ALBERTO FILHO: Como pode ser caracterizado um ambiente familiar saudável?

FABIO SOUSA: Conforme disse, a ausência de desafios, pelo menos no que concerne à estrutura social da atualidade, é um mito; todos os núcleos familiares enfrentam situações que exigem estabilidade emocional para lidar com elas. Assim, o ambiente familiar saudável é aquele onde os partícipes enxergam a dialética da vida e sabem lidar com ela com sabedoria, colimando o bem dos familiares e o social de maneira mais ampla. Para isso, é imperiosa a presença do Amor; não aquele romântico dos contos de fadas, mas o que nos liga em prol de intenções comuns de bem-estar.

ALBERTO FILHO: Os novos grupos familiares diferenciam-se em que sobre esse aspecto?

FABIO SOUSA: Em nada. Não há nada que seja contrário ao desenvolvimento dessas habilidades, a não ser a vontade. Famílias de homossexuais, poliamorosas, de heterossexuais, de pais solteiros, interraciais, todas, enfim, podem desenvolver essas características, e é necessário trabalhar a cultura para que ela não promova a discriminação dessas iniciativas, gerando sofrimentos coletivos desnecessários.

ALBERTO FILHO: Há algum fator capaz de tornar a socioafetividade inaplicável às famílias homoafetivas?

FABIO SOUSA: Os mesmos que sejam aplicados à socioafetividade nas famílias de pais heterossexuais.

ALBERTO FILHO: Há danos aos filhos formados nesses ambientes familiares diferentes de outros grupos familiares considerados “normais”?

FABIO SOUSA: Ora, o que é o “normal”?!... A família homoafetiva, por si só, não provocará danos; eles podem vir, isso sim, através dos homofóbicos, que, aliás, são portadores de distúrbio socioafetivo infelizmente ainda não catalogado pelas organizações de saúde mundiais, mas que o serão brevemente. Há um medo ancestral no comportamento homofóbico, uma angústia inconsciente com a própria sexualidade que os leva a comportamentos violentos, e a violência, física ou moral, por si só, já demonstra uma fraqueza que podemos carregar.

Certamente as crianças criadas por dois pais ou duas mães, na nossa cultura ocidental, poderão apresentar fantasias do tipo: “como será ter um pai (ou mãe)?...”, mas isso não quer dizer muita coisa. Quem garante que as crianças filhas de pais heteroafetivos não se perguntam: “como será ter dois pais (ou mães)?...” A fantasia faz parte dos processos de elaboração do psiquismo de qualquer ser humano, e a diferença também...

Por exemplo, em alguns países, um pai, suas diversas esposas e filhos podem conviver bem até a morte, sem que isso gere um problema que não seja habitual nas famílias em geral. Não estou fazendo apologia, nem sequer despropaganda do poliamor, mas estou avaliando as coisas como ocorrem a depender da cultura onde estão inseridas... Pois veja o que poderia acontecer com esses filhos e companheiras no Brasil...

ALBERTO FILHO: Qual a diferença entre a família heteroafetiva e a homoafetiva para o desenvolvimento saudável dos filhos?

FABIO SOUSA: Nenhuma.

ALBERTO FILHO: Abstraindo a responsabilidade médica por erro ou dolo quando se manuseia o material que dará origem a uma nova pessoa, qual a interferência das técnicas de reprodução assistidas no desenvolvimento das atividades familiares?

FABIO SOUSA: A medicina deve estar a favor da vida e do desenvolvimento dos seres em geral. A ética, nesse caso, deve girar muito mais em torno de não se produzir anomalias somáticas e maltrato de fetos e seus familiares do que se é pecado ou não ser homossexual. Se a medicina puder gerar seres biologicamente perfeitos a partir de duas mulheres, de dois homens ou de outra forma, sem com isso maltratar cobaias formadas ou em formação, isso será um golpe no orgulho de gênero que têm atrasado nosso progresso antropológico em muitos sentidos e em muitos séculos.

ALBERTO FILHO: Quer dizer que a interferência das Técnicas de Reprodução Assistida cessa quando a criança nasce, e os únicos efeitos futuros que podemos verificar equivalem aos mesmos encontrados por qualquer família moderna?

FABIO SOUSA: Se a Ciência ainda não for capaz de produzir seres saudáveis em igual condição dos outros em todas as etapas possíveis, isso pode trazer danos bio-psico-sócio-espirituais. É preciso se estar seguro disso antes de tudo, pois os organismos podem não apresentar defeitos durante a concepção e o nascimento, mas sim durante as fases seguintes de seu desenvolvimento.

O que quero deixar claro é que a questão difícil é muito mais de engenharia genética e de homofobia do que dos pais, homossexuais ou não, que receberão seus filhos de braços abertos.

ALBERTO FILHO: Para uma mudança social acontecer requer-se o amadurecimento de toda a comunidade. Na sua visão há imposição da mídia provocada por pressão de grupos voltada para causas homoafetivas ou gays buscando criar direitos voltados a esses grupos?

FABIO SOUSA: De modo nenhum há imposição. A imposição é para os fracos que de alguma forma não suportam debater...

Há, sim, uma exposição maior da questão, advinda da reivindicação de grupos que buscam direitos da comunidade LGBT, mas em países bem localizados e privilegiados, não atingindo a maioria da população mundial, pois há nações onde a homossexualidade, a bissexualidade e a transexualidade são criminalizadas ou tratadas com truculência pelas autoridades.

A mídia, notadamente nos países democráticos, está fazendo o seu papel em promover o debate e levar a situação às indagações da população em geral.

Veja: no Brasil, o beijo entre homossexuais ainda não é tolerado na televisão, e, na rua, os homossexuais correm ainda o risco de apanhar se andarem de mãos dadas...

ALBERTO FILHO: Podemos igualar as barreiras enfrentadas por famílias homoafetivas às enfrentadas poucas décadas atrás pelas famílias constituídas fora da proteção do casamento ou divididas pelo divórcio?

FABIO SOUSA: Não podemos igualar. As dificuldades dos homossexuais são bem maiores, pois enquanto uma mãe solteira, exempli gracia, poderia encontrar abrigo no seio das doutrinas religiosas, os homossexuais encontravam a execração.

É incrível a capacidade dos seres humanos de maltratar os seus pares quando eles exibem publicamente o que gostaríamos de ocultar de nós mesmos... Mas a Psicanálise veio também para desmascará-los.

ALBERTO FILHO: A relação estabelecida entre os filhos que de formas diferentes formam a família (adoção, reconhecimento de paternidade, filhos unilaterais etc.) traz algum tipo de dano ao desenvolvimento destes quando são informados como foi adquirido o estado de filho ou isso é indiferente, depende da capacidade de cada pessoa enfrentar as adversidades surgidas?

FABIO SOUSA: Eu disse anteriormente que a família bem organizada é aquela que age com sabedoria nas situações de conflito e que mantém em seu seio a presença do Amor. Quero acrescentar, a título de introdução da resposta à sua pergunta, que cada psiquismo reage de modo diferente a situações diferentes ou similares.

Assim, para um filho que se sente amado e que foi preparado para saber a verdade, será natural a informação. Para outros, mesmo com todo o cuidado e equilíbrio familiar, será preciso a intervenção de um Psicanalista ou Psicólogo, por exemplo. Assim, as situações variam de caso a caso. Note-se que, nesta perspectiva, filhos gerados biológica e maritalmente por pais heterossexuais podem apresentar desafios a serem sanados com a ajuda ou não de especialistas.

Penso, como Psicanalista e ser humano, que os laços de sangue só valem em demasia quando ainda não se possui a dimensão exata da afinidade gerada pelo Amor, que é algo muito mais resistente do que um conjunto de células.

Quero com isso demonstrar a diversidade de situações que podem envolver os seres humanos em problemas similares, mas enriquecer as experiências individuais de cada um deles.

A adoção, a criação por pais do mesmo sexo, por si sós, não trarão danos. A ausência de Amor e de equilíbrio, com certeza sim...

ALBERTO FILHO: Como você define as uniões homoafetivas?

FABIO SOUSA: Dois seres humanos ou mais do mesmo sexo que decidem unir-se sexualmente.

ALBERTO FILHO: Os homossexuais forçam a formação de famílias inviáveis?

FABIO SOUSA: Não mais nem menos que os heterossexuais.

ALBERTO FILHO: Identifica-se uma divisão do conceito clássico de família passando a existir a família homoafetiva ao lado dos conceitos legalmente reconhecidos ou não? Esses acontecimentos são irrelevantes, não devem ser dada tanta relevância ou mesmo desconsiderados, pois se perderão no tempo?

FABIO SOUSA: O conceito clássico de família é feito através de um recorte no tempo e por um grupo de pessoas. Daqui a dez mil anos o conceito clássico de família haverá mudado. O problema é que a Verdade, com V maiúsculo, haverá de ser verdade agora ou daqui a dez mil anos...

Estas questões não devem ser desprezadas, mas analisadas com afinco e tendo em vista o bem geral da humanidade.

O Estado, elástico como é, deve promover o bem-estar de todos os concidadãos, deve buscar atingir a Justiça, também com J maiúsculo. Para isso, não basta facilitar a vida de uns e desprezar a de outros. Não vale reconhecer a família heteroafetiva em detrimento da homoafetiva porque esta última é de menor número.

O fato é que é o Estado que se molda à força do seu povo e não o contrário, mesmo que a população não tenha consciência disso. É a superestrutura que se adequa à infraestrutura, já mostrava Karl Marx... E quem está no poder muitas vezes tenta manipular o povo no sentido de desfazer essa ideia, mas os pseudopoderosos lutam contra um poder incoercível...

  



AS MULHERES NO MUNDO

Por Fabio Sousa, 13/11/2013



Jéssica Thaiane, estudante de Geografia da Universidade de Pernambuco, fez comigo uma entrevista a respeito das mulheres no mundo. Diria que extremamente apropriada. Confiram:

 

JÉSSICA THAIANE: Sobre o movimento A MARCHA DAS VADIAS, que teve seu início no Canadá e que veio a eclodir também no Brasil, o protesto que já teve sua polêmica iniciada pelo nome sugestivo (VADIAS) e que causou bastante... Cartazes provocadores como: “danço funk sem calcinha e a boceta continua sendo minha”, “meu corpo, minhas regras” deram o que falar... O movimento defendeu o direito, a legitimidade da mulher sobre o seu próprio corpo, sobre a maneira dela se vestir e agir livremente, sem que isto gere qualquer agressão, como o estupro (que foi enfatizado). No Brasil, ele também deu margem a outros temas como o fim da violência doméstica, física, sexual. A mulher como dona de seu próprio corpo, portanto de suas partes íntimas, consegue lidar com isso da maneira ideal, sem traumas?!

 

FABIO SOUSA: Não posso afirmar que as mulheres do mundo, hodiernamente e de um modo geral, podem lidar com a repressão de uma forma ideal, ainda... Mas cabe a todos nós, através de iniciativas como esta entrevista, por exemplo, modificar este panorama acabrunhador. Se a repressão sobre a mulher no mundo se desse apenas no âmbito sexual, ela já seria algo digno de se lamentar, mas a verdade é que ela se passa em diversos aspectos, como o laboral, o intelectual, até mesmo sobre o direito de ir e vir. O fato é que nem sempre a mulher tem sido a dona de seu próprio corpo, como você me perguntou: os homens têm, de várias formas, através de um longo processo histórico, tentado e conseguido subjugar as mulheres à sua fraqueza, porque o que está por trás dessa luta nada mais é do que um medo ancestral do poder feminino de realização, ou seja, uma covardia que se disfarça em força física e brutalidade moral.

Os desavisados dirão que a Marcha das Vadias é uma caminhada de mulheres sem escrúpulos, sem propostas políticas elegantes, composta por vagabundas e daí a origem do seu nome... Não é assim: estas mulheres estão reivindicando a sua dignidade de um modo agressivo, porque foi o modo que encontraram para chamar a atenção da sociedade em geral, porque foi o modo como foram tratadas – e violentadas historicamente – por esta mesma sociedade patriarcal. Elas me fazem lembrar que, por volta da Renascença, na Europa, as mulheres estupradas eram consideradas as verdadeiras culpadas por este crime vil, pois, pensava-se, elas é que haviam despertado a concupiscência dos estupradores!...

O abuso social, quanto mais forte seja, exige um choque tão forte quanto para ser quebrado, para que se rompa com estes padrões, neste caso milenares – o que potencializa sua força. É uma pena que a conjuntura do mundo determine muitas vezes que tenha que ser assim, porque o diálogo seria uma excelente saída – mas, para que ele exista, é preciso que todas as partes estejam interessadas em conversar da forma que foi batizada de “civilizadamente”, porque, na verdade, não somos tão “civilizados” como imaginamos ser...

Então, é necessário que a humanidade desperte para o que ocorre: as mulheres não são, ainda, mesmo nas sociedades ditas democráticas, tratadas como os seres livres que são – e isso é deprimente se avaliarmos nossas conquistas intelectuais, para nós, enquanto coletividade, e para elas, enquanto vítimas deste processo. E por trás disso tudo existe o medo, a covardia dos homens e o silêncio por parte delas.

 

JÉSSICA THAIANE: “Será que o príncipe virou um chato?...’’ – canta Cássia Eller em uma música. Ontem, meninas que sonhavam encontrar seus príncipes encantados e fazer um bom casamento na igreja de véu e grinalda como manda o figurino; hoje, mulheres que estudam, batalham, são chefes de lares, se impõem, definitivamente estão dizendo para quê  vieram e anseiam por independência; elas estão no mercado de trabalho e muitas vezes em cargos melhores que os deles (o que irrita bastante os machões)! Isso pode ser visto na presidência do nosso país, onde o cargo de maior valia é ocupado por uma mulher. Na sua opinião, os sonhos, o modelo de ideal de vida que garotas na fase juvenil desejam pra vida adulta estão rompendo paradigmas? A mulher, no campo profissional, está sendo vista com outros olhos? Positivos ou negativos?

 

FABIO SOUSA: As mulheres, as meninas, de um modo geral – nas sociedades democráticas principalmente – estão rompendo paradigmas em diversos setores, mas é preciso ressaltar que as conquistas atuais não são tudo, que há um campo vasto de coisas ainda por fazer. Se elas podem hoje fazer o que antigamente não faziam, que também enxerguem que isso não se deu por acaso ou por bondade dos homens, mas que é consequência de um litígio social bastante complexo que ainda encontra-se em andamento. Muitas mulheres morreram, foram presas, maltratadas biológica e moralmente – e continuam sendo – para que elas desfrutem desse pequeno prazer (porque, para quem nunca teve liberdade, colocar os braços de fora pode parecer a maravilha das maravilhas...). Mas até que ponto esta parcela de liberdade não se constitui em acordo tácito estratégico para que os homens continuem no poder, sem na verdade compartilhá-lo meio a meio, como deveria ser? Que desfrutem, portanto, da sua conquista, mas que não se enganem pensando que esta já basta.

É claro que, nas sociedades democráticas, a mulher vem ganhando espaço profissionalmente – e isso é superpositivo –, que elas estão rompendo com paradigmas machistas quando encontram brecha para isso, mas, definitivamente, ainda não é o suficiente: é preciso continuar o processo.

Você tem observado o poder realizador da mulher quando lhe é dada a faculdade de fazer? Tem visto a beleza do potencial da sua atuação na política, nas artes, nas ciências, nas religiões? O ambiente sexual dos seres humanos é composto de três sexos: machos, fêmeas e hermafroditas devem dar a sua contribuição para que ele aconteça da melhor forma.

Chegou a hora de os machos da espécie homo sapiens sapiens perceberem que seu pênis e seus testículos são tão potentes quanto a vulva e a vagina ou todos juntos.

E por falar nisso, por que os chamados símbolos fálicos não podem, sinonimicamente, serem chamados também de símbolos vagínicos?

 

JÉSSICA THAIANE: As mulheres questionam e querem ter liberdade sexual igual à dos homens, acho no mínimo digno e o correto. É uma questão de igualdade apenas! Sobre o machismo no Brasil, uma revista teen muito famosa destinada a garotas heterossexuais foi duramente criticada a respeito de uma matéria em que eles expõem as diferenças entre: “menina pra namorar e menina pra ficar”. Eles favoreceram o rótulo de que mulher serve “para isso” ou para “aquilo”, frisando ainda que certas garotas servem para serem usadas e depois jogadas fora. O julgamento de cada tipo de garota foi pautado nos caracteres ligados a motivos externos; as “comportadas” e que ficam com poucos caras são as pra namorar, assim opinaram alguns rapazes, e as para ficar seriam as garotas bonitas que atraem olhares na balada e que ficam com muitos caras, beijando quem elas sentem vontade; uma ao molde da sociedade e a outra atrevida e que usa de sua liberdade para fazer o que sente vontade. Venho de uma sociedade que marginaliza a região sexual da mulher até os dias de hoje, composta por homens que no passado praticamente fizeram um leilão acerca da virgindade da mulher!... A que fosse virgem seria a pura e que mereceria o respeito de um homem... A primeira transa de uma garota, e por consequência as que virão posteriormente,  sempre foram muito preocupantes se ela não tivesse um namorado fixo para praticar; o medo de ficar falada no meio social falava mais alto e esse preconceito vinha tanto da parte dos homens como das próprias mulheres; algumas garotas até hoje mentem que são virgens para serem mais valorizadas por eles e serem mais importantes no meio social. As mulheres, ao longo dos anos até os dias de hoje, estão exercendo o seu direito de serem livres?! Você acha que elas estão felizes com seu papel social perante o sexo?!

 

FABIO SOUSA: Repare que a revista tratou as garotas como coisas a serem utilizadas de acordo com a vontade socialmente imposta pelos machos da espécie. Isso me leva à conclusão de que as mulheres não estão exercendo, de um modo geral, o seu direito de serem livres, até porque, de fato, elas não têm esse direito e acabam acreditando que só serão felizes se seguirem este modelo velado difundido pela revista em questão. E não me refiro necessariamente ao estabelecido como moralmente melhor, mas a isso: elas seguem o que realmente desejam ou são hipnotizadas para que a vontade sorrateira dos machos seja seguida? Elas estão conscientes de suas escolhas? Elas estão questionando, pensando a respeito de toda essa manipulação velada? Isso é consciente? Depois destes questionamentos, chego à conclusão de que o moralmente melhor seria que elas tivessem liberdade de escolher, e, depois, que lhes fosse dado o espaço de problematizar sobre isso tudo, de dialogar e expor suas opiniões.

Dentre todos os medos que os homens sentem perante as mulheres – e por isso a necessidade que também sentem de um modo geral em subjugá-las, seja boicotando o desenvolvimento de sua força orgânica ou moral – o maior de todos eles é o de sua liberdade sexual. Este é um perigo dos mais fortes, um sinal vermelho que acende e assusta tanto que é extremamente difícil para nós conceder-lhes, depois de milênios de esforço, o direito de fazerem de sua genitália o que bem entenderem. E as mulheres ainda não perceberam que basta um esforço pequeno diante do tempo de todo este processo para que tudo isso venha abaixo e que os homens sejam colocados em seu devido lugar – o de pares e não de algozes.

Definitivamente, nenhum ser humano pode ser feliz sendo privado da liberdade de desenvolver plenamente o seu potencial e a sexualidade, neste âmbito, exerce um poder de suma importância.

 

JÉSSICA THAIANE: A mulher e os nossos padrões atuais de beleza... Vivenciamos hoje na sociedade um desregramento causado pela mídia que adotou um corpo modelo, o que agravou alguns pontos negativos como os transtornos alimentares (anorexia e bulimia, por exemplo...) e o fenômeno bullying, que sempre esteve entre nós. Pais que se deixam levar pelo molde midiático e abalam ainda mais a vida de seus filhos os perseguindo para que eles se enquadrem no padrão estabelecido, mesmo diversas vezes sem ter em mente o mal que estão provocando. O que dizer às garotas/mulheres que não foram fortes o suficiente e deixaram-se contaminar pela raiva e o desespero em relação à sua aparência e a imposição social com relação à mesma?

 

FABIO SOUSA: Tenho a dizer-lhes que lamento muito que isso tenha acontecido se elas não puderam estabelecer uma relação crítica com o que é veiculado pela mídia, porque não podemos demonizar a mídia – ela é apenas um veículo, necessário inclusive ao desenvolvimento do mundo. Quem faz os conteúdos veiculados pela mídia é que detém a responsabilidade pela feitura deles. A mesma mídia que hipnotiza os incautos, fazendo-os seguir padrões impostos de modo diversas vezes idiota, também pode educar e muito. A diferença é colocada por quem faz o conteúdo midiático. O exercício da crítica do que nos chega desenvolve nossa inteligência.

A concepção de beleza difere de pessoa para pessoa, embora possamos olhar algumas e dizer que elas são atraentes, sexualmente ou não. É bom, é gostoso nos relacionar com alguém que consideramos apetecível corporalmente, mas será que isso é tudo? E se essa pessoa for apenas gostosa e nada mais?... E é bom lembrar que o nosso olhar a respeito da gostosura das pessoas depende da constituição biopsicosócioespiritual de cada um de nós...

A escravidão deve desaparecer, em nós, neste aspecto, a começar da nossa mente.

 

JÉSSICA THAIANE: Sobre a homossexualidade entre elas, a união afetiva entre mulheres ainda é vista com muito preconceito. Na Rússia, uma lei aprovada pelo parlamento proíbe "propagar relações sexuais não tradicionais" e impõe multas a quem promover passeatas do orgulho gay. No Brasil, existe uma falsa conduta perante o preconceito dissimulado, porque vivemos uma fase em que demostrar preconceitos virou antiestético. Em contrapartida, surge a hipocrisia que a cada dia que passa demonstra o quanto veio pra ficar, recheada de falsos moralismos que infelizmente começam em casa com pais autoritários e chantagistas que provocam verdadeiros danos nas vidas de seus filhos. A igreja, por sua vez, não fica atrás: a comunidade gay e ela ainda não fizeram as pazes e agora aparece também deputado/pastor metido a curandeiro com suas falas bizarras... Ironias à parte, o nosso sistema civil está se moldando aos novos arranjos familiares: uma estrutura composta por duas mães e filhos, por exemplo... Na sua opinião, a sociedade já está pronta pra encarar de uma vez por todas o que existe conosco desde de sempre: a homossexualidade feminina? E como combater esse preconceito vil, dia após dia, sem se deixar abater?!...

 

FABIO SOUSA: Sabe, Putin e os conservadores russos deveriam experimentar uma relação homossexual! Far-lhes-ia um bem imenso!... Talvez, através deste novo movimento de suas energias psíquicas, suas inteligências também se desenvolvessem mais...

Sobre a falsa conduta a que você se refere, ela é ridícula porque hipócrita, mas já é também um avanço, apesar de tímido... Mais tarde, daremos outros passos à frente.

A resposta é não: a sociedade mundial ainda não está pronta para encarar de bom modo a homossexualidade feminina: é necessário prepará-la para isso, inclusive tornando públicas estas uniões e promovendo leis que protejam os homossexuais e bissexuais. Mas a homossexualidade feminina, apesar de execrada pelo contexto atual do mundo, conta com uma vantagem em relação à masculina: enquanto dois homens que se relacionam sexualmente se tornam uma ameaça radical ao sistema patriarcal, duas mulheres que fazem sexo podem se tornar excitantes para diversos machos da espécie. Não que dois homens transando não sejam igualmente excitantes para eles: é que, enquanto estes despertam o desejo e abalam a frágil masculinidade do mundo, imposta de forma historicamente medíocre, aquelas são mais aceitas nas mesmas condições, desde que colocadas, é claro, em situação de diferenciação a respeito das “outras” para “casar”, como você citou antes.

Como combater este preconceito: afirmação social sem medo de ser feliz, através de todas as formas possíveis. Trabalhar para que a democracia se torne, universalmente, um direito natural. Não que ela não possua falhas e até controvérsias ontológicas, mas porque, na minha modesta opinião, não conseguimos ainda inventar sistema político melhor.

 

JÉSSICA THAIANE: Agora, sobre o projeto que visa a legalização do aborto e propõe tratar a questão como de saúde pública em vez de prática criminosa. No mundo ocorrem milhões de abortos clandestinos ao ano, a prática é decorrência da gravidez interrompida por mulheres que não fizeram planos, engravidaram contra a vontade. Muitas acabam morrendo ou trazendo consigo sequelas para a vida toda, o que tem implicações nos seus planos futuros de reproduzir. Nós temos uma bancada religiosa de parlamentares que é a favor da vida em qualquer circunstância e que trata do aborto como assassinato. A discussão se acirra ainda mais porque, de um lado, há quem diga que não há vida na concepção, portanto, não existe problema; há também quem defenda a legalização ferozmente, como uma parte das mulheres feministas, que recentemente fizeram um protesto pela descriminalização do aborto em frente a uma igreja de uma maneira que para alguns foi tido como um protesto ofensivo (havia frases como: ''Tire sua cruz da minha vagina.''; ou ''Tirem seus rosários dos nossos ovários.''). Em meio a tanta polêmica, você é a favor ou contra a legalização do aborto? Se contra, na sua opinião, qual seria uma boa intervenção política para o problema?

 

FABIO SOUSA: Na verdade, por mais contraditório que possa parecer, a bancada evangélica chegou a defender e legalização do aborto...

O sexo deve ser prazer, mas também é responsabilidade. Você transa, mas também sofre as consequências de sua transa e estas podem ser boas ou ruins a depender do que ocorre e da maturidade de cada um. Uma gonorreia, ou a AIDS são ruins, apesar de tornarem-se um aprendizado para quem as contrai, mas um filho só é ruim quando não se tem maturidade suficiente para encará-lo de outra forma.

Você pode me perguntar: e os casos de gravidez por estupro, por exemplo? Eu direi: aí também entra a maturidade.

Porque o aborto me remete a duas questões éticas importantes: os cientistas ainda não conseguiram estabelecer de modo pleno quando começa a vida; depois, quando se tem uma pessoa dentro de você, crescendo, você está falando sim de seu corpo, mas também do corpo de um outro ser...

Assim, sou contra o aborto a não ser que a gravidez ponha em risco a vida da mãe. Mesmo no caso dos anencéfalos, pois as crianças anencéfalas podem viver anos após o nascimento. Aliás, o caso dos anencéfalos me reporta à questão anterior, a respeito da beleza: queremos assassinar os fetos anencéfalos algumas vezes não porque não viverão, mas porque não se encaixarão aos padrões que estabelecemos como belos e ideais; agindo deste modo, não nos diferenciamos muito dos índios que enterram vivas as suas crianças com algum tipo de necessidade especial – é por isso que afirmo que pensamos que somos, mas na verdade não somos tão civilizados assim... Isso nada mais é do que pura racionalização. Freud explica.

Uma boa intervenção política seria o banimento da hipocrisia sexual e portanto uma reforma no modo de pensar da humanidade. Uma educação sexual, através de todos os veículos existentes, destituída destas hipocrisias, aniquilaria uma boa parcela do ideário que nos motiva a certos deslizes, e, consequentemente, todo o aparelho social se moldaria para que a plenitude humana fosse conquistada neste aspecto.

 

JÉSSICA THAIANE: A mulher integrando o espaço social como figura religiosa nos regimes islâmicos totalitários, acorrentadas ao fundamentalismo, sofrem verdadeiras crueldades; meninas que são proibidas de ir à escola, mulheres restringidas de andarem nas ruas sozinhas, algumas que passam fome por seus maridos terem morrido e elas serem impedidas de ingressar no mercado de trabalho em prol do seu próprio sustento, mulheres que são espancadas... A burca, que no seu significado e a maneira de ser usada mais me parece uma corrente de segurança máxima entrelaçada, cobrindo parte do rosto e escondendo os cabelos, pois em hipótese alguma ele poderá sair de lá se ela estiver na presença de outros homens... Dedos que serão decepados se as unhas forem pintadas, porque a vaidade entre elas é uma coisa que não se pode nem cogitar! Aos olhos de Alá no livro sagrado ALCORÃO, homens e mulheres são iguais, o que tende a ser contraditório... Nós, do mundo ocidental, ficamos perplexos com tantas coisas horríveis! Fica claro que uma parte do mundo muçulmano precisa de uma reformulação cerebral. Até quando mulheres vão ser expostas a tanta crueldade, isso terá um fim?!... 

 

FABIO SOUSA: O fundamentalismo islâmico necessita, sim, de uma reforma intelectual, mas não se engane pensando que apenas eles: a cúria cristã mundial, de todas as denominações religiosas, também necessita de uma reforma intelectual ampla... Na Igreja Católica, por exemplo, as mulheres não podem exercer o papado. A herança judaico-cristã é patriarcal e responsável também pelas agruras que as mulheres têm de suportar diariamente. Não podemos pensar que se trata de algo localizado nesta ou naquela cultura: é um modus vivendi e um modus operandi difundido pela humanidade inteira! Estes padrões sorrateiros serão encontrados tanto em Nova Iorque quanto no Paquistão, apesar de assumirem formas diversas às vezes.

O que mais me choca é que os cristãos que comandam os cérebros das massas (uma minoria esperta) não seguem a Jesus, que deveria ser o seu modelo e guia: o poder temporal, historicamente, é o que tem movido suas ações e as pessoas hipnotizadas e escravizadas não podem, é claro, criticar livremente estas ações contraditórias...

Vemos, então, que as contradições não são privilégio do mundo islâmico.

Tudo isso vai ter um fim!... Os machos da espécie homo sapiens sapiens ainda não perceberam que estão num processo de autossabotagem progressiva e irreversível. A conquista da inteligência possui seu ônus, mas também a sua glória!

 

JÉSSICA THAIANE: No que se refere aos direitos humanos, a legislação de proteção à mulher funciona? Você acha que precisamos de alguma reforma?

 

FABIO SOUSA: Quando ela existe, funciona como um veículo de autoafirmação e tende a se cumprir mais cedo ou mais tarde. O problema é que em diversos países ela simplesmente nem é cogitada.

Necessitamos de todas as reformas mundiais cabíveis para fazer valer o direito das mulheres e este deve ser um foco de todos aqueles que anseiam por um planeta melhor para a humanidade inteira.

 

JÉSSICA THAIANE: A mulher no campo artístico contribuiu muito ao longo dos séculos. Quais foram as suas musas inspiradoras, na arte, na vida?

 

FABIO SOUSA: A arte e a vida, em verdade, para mim se entrelaçam e se confundem, pois não consigo dissociar a minha vida da arte que produzo.

Tive e tenho diversas musas: minhas quatro mães (ontem ganhei mais uma); amigas de ontem, de hoje e de sempre; mulheres com quem namorei; minha esposa; Madonna, de quem sou fã desde cinco anos de idade mais ou menos; Hipátia... Quero também ter uma musa: uma filha, que viva num mundo melhor para as mulheres, onde ela possa desfrutar de dignidade por ser humana em todos os apectos.

Tive e tenho também inspiradores homens, mas este é um tema para nova entrevista...



ENTREVISTA DE SANDRO PENELÚ, CANTOR E ESCRITOR BAIANO

Por Fabio Sousa, 21/05/2013



Sandro Penelú, cantor e escritor de Feira de Santana – BA, é sem dúvida um nome marcante da cultura do amado Estado da Federação. Nesta entrevista ele mostra a sua profundidade de Espírito, sua visão abrangente e conta para nós algumas coisas que eu queria saber e que acho que são do interesse de todos. Não ficaremos por aqui, já que quero estar cada vez mais perto de gente como ele: com G maiúsculo.

Vejam:

 

FABIO SOUSA: SANDRO, DE CARA EU DIGO QUE ADORO SUAS POESIAS. DE ONDE NASCEM AS SUAS INSPIRAÇÕES PARA ESCREVER POEMAS?

 

SANDRO PENELÚ – Bom, meu caro Fabio, antes de qualquer coisa, gostaria de dizer da minha satisfação e honra por estar sendo entrevistado por uma pessoa tão sensível e inteligente como você. Olha, eu costumo dizer que meus poemas são uma pequena faceta das minhas loucuras. Creio que todos temos um pouco de desvario, de anti-razão. O próprio título do meu próximo livro é bastante sugestivo nesse aspecto: “Grito das Entranhas”.

 

Sandro Penelú


FABIO SOUSA: ALIÁS, EU ACHEI O TÍTULO DE SEU PRÓXIMO LIVRO BASTANTE ORIGINAL E PENSEI: ‘MEU DEUS, POR QUE EU NÃO INVENTEI ESSE NOME PRIMEIRO?!...’ GENIAL MESMO, SANDRO! E ALÉM DE POESIAS, VOCÊ ESCREVE EM OUTROS GÊNEROS?

 

SANDRO PENELÚ – Tenho também um livro de crônicas e um romance prontos. Enquanto não chega o momento de seus lançamentos, vou publicando algumas dessas crônicas em jornais daqui de Feira de Santana – BA e em sites na Internet.

 

FABIO SOUSA: PARA SORTE NOSSA! E O SANDRO PENELÚ CANTOR, ONDE ENCONTRA INSPIRAÇÃO?

 

SANDRO PENELÚ – Alguns cantores me marcaram muito, como Caetano, Renato Russo, Fagner e Zé Ramalho. Entretanto, depois de 25 anos de carreira, você acaba desenvolvendo sua própria personalidade nas interpretações.

 

Sandro Penelú


FABIO SOUSA: ENTÃO, VOCÊ SÓ CANTA MPB?

 

SANDRO PENELÚ – O próprio termo MPB é muito abrangente, pois envolve diversos estilos de alto nível cultural e musical. Meu repertório é composto de MPB, Pop Nacional, Música Regional, Samba, Reggae e a boa e velha Bossa Nova.

 

FABIO SOUSA: QUE DELÍCIA DE REPERTÓRIO! VENHA CÁ: VOCÊ ESTÁ DISTRIBUINDO MÚSICAS E TEXTOS SEUS ATRAVÉS DE UM BLOG. FALE PARA NÓS O ENDEREÇO E COMO SURGIU A IDEIA.

 

SANDRO PENELÚ – A Internet tem também essa vantagem de poder compartilhar minhas produções e interpretações com os que admiram e valorizam o meu trabalho. Nas minhas inquietações, tive a ideia de reunir essas produções e interpretações no blog  www.sandropeneluvirtual.blogspot.com  e devo lhe dizer que estou muito satisfeito e agradecido com os acessos.

 

FABIO SOUSA: EU CONFESSO QUE SOU VISITANTE ASSÍDUO! É TÃO BOM PODER TER UM ESPAÇO EM QUE A GENTE POSSA VISITAR E LER SEUS TEXTOS E BAIXAR SUAS MÚSICAS!

VAMOS FAZER UM JOGO: EU DIGO A FRASE E VOCÊ DEFINE: SANDRO PENELÚ POR SANDRO PENELÚ:

 

SANDRO PENELÚ – Alguém sempre interessado no ser humano.

 

FABIO SOUSA: O AMOR PARA SANDRO PENELÚ:

 

SANDRO PENELÚ – No nível humano, ainda estamos começando a engatinhar...

 

FABIO SOUSA: A FAMÍLIA PARA VOCÊ:

 

SANDRO PENELÚ – Palco de reencontros e acertos.

 

FABIO SOUSA: SANDRO, ADOREI ESSA REFLEXÃO! PROFUNDA, HEIN! A ESPIRITUALIDADE...:

 

SANDRO PENELÚ - O principal no ser, pois é a essência.

 

FABIO SOUSA: SANDRO, QUERO DEIXAR CLARO QUE O NOSSO BATEPAPO APENAS COMEÇOU, POIS SINTO QUE A NOSSA UNIÃO VAI SER PROMISSORA...

 

SANDRO PENELÚ – Que bom, meu velho. As pessoas se reencontram neste mundo, mesmo sem nunca terem se tocado.

 

FABIO SOUSA: ISSO MESMO! GRAÇAS À TECNOLOGIA PUDEMOS VENCER DISTÂNCIAS E PRODUZIR COISAS BOAS JUNTOS. SAIBA DA MINHA ADMIRAÇÃO DE SEMPRE. OBRIGADO PELA ENTREVISTA E POR TUDO. É SEMPRE UMA HONRA!

 

SANDRO PENELÚ – Eu que agradeço! E que a vida nos seja sempre leve. Sigamos em frente, fazendo do ser humano a peça-chave na gigantesca engrenagem que é o Universo... Abração! 


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Fabio Sousa

Escritor, Psicanalista, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência.

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