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Bissexuais: o Pai, a Filha e o Espírito Santo

Por Fabio Sousa, 25/12/2016



Sim,

Agora que Beyoncé

Põe a mão na cintura

- Com a cara de deslumbrada,

Revirando a cabeça devagar

Para um lado e para o outro

 

Que a metodologia científica

- Já não serve para grande coisa,

 

Que as regrinhas

- Que inventamos

São o que são:

Apenas reflexo da nossa insanidade

Coletiva

 

Que posso medir

- O imensurável:

Meu amor por Maria Bethânia

 

Que as igrejas

- Enganam nos homens

A ideia de Deus

 

Que a moral vitoriana tenta

- Inutilmente,

Apossar-se do Brasil

(Como seria inútil

- Em qualquer lugar...)

 

Que o Nego Naldo morreu

 

Que podemos desmascarar aqueles a quem a cultura moldou homem e mulher, mas que, na verdade na verdade, sempre foram bissexuais.

 

Que a Trindade do pop já veio

- Para nos ensinar todas as coisas e estar conosco eternamente:

Michael Jackson, o Pai,

Madonna, a Filha

E Prince, o Espírito Santo

 

Que já sabemos do que mais gostam

- Os comunistas brasileiros:

Dinheiro

 

Que já é notório

- O maior de todos os direitos:

A liberdade

 

Que já temos consciência do país:

Uma vaca profana

- De tetas fartas e mui lambidas

 

Que já sabemos ser impertinente

- Pelo menos aqui –

A implantação de certos costumes

E a exigência de certas leis

 

Que Fidel Castro

- Bateu as botas

 

Que sabemos

A quantidade exponencial de loucos

- Nas religiões

 

Que Putin persegue os gays

- Na sua sandice erótica

 

Que o narcisismo explode

- Em grito de gozo nas academias

 

E já sei o que sinto pela malhação:

Amor e ódio...

 

Que é óbvio:

Paulo Coelho ganhou milhões

- Com falácias e sofismas

E “caiu fora” do PT quando lhe convinha

(E atualmente mora é na Suíça, bem longe do Brasil.)

 

Que as bichas recalcadas

- Pregam santidades pré-fabricadas

Nos púlpitos de toda ordem,

Excluindo-se no intuito de a si mesmas incluir

 

Que já se sabe as aves preferidas

- De toda a gente:

Periquito e peru

- E a parte mais saborosa em outros animais:

O rabo

 

Que finalmente chegou o Natal

- De 2016 (coloque aqui o ano que você quiser para presentear seu amigo com esta poesia),

Podemos dizer,

Misericordiosamente:

Amém!

 

Fabio Sousa

Escritor, psicanalista

25 de dezembro de 2016



Breve Reflexão Sobre a Liberdade e Fidel Castro

Por Fabio Sousa, 26/11/2016



Morreu Fidel. O fato não pode passar em branco; por motivos óbvios, positivos e negativos.

Libertou a nação cubana de uma ditadura, mas não informou ao povo que instalaria uma outra, depois.

Elevou apoteoticamente os níveis educacionais e de salubridade, estendendo a todos esses direitos que, sem dúvida, são naturais e já deveriam estar universalizados.

Perseguiu dissidentes, e milhares de homossexuais que nem sempre o eram mas passaram a ser, torturando-os somática e psicologicamente.

Cerceou liberdades e fez com que o Socialismo se voltasse para a linha contrária à democracia.

Resistiu ao imperialismo e interesses vis do capital, mas era milionário.

Promoveu uma igualdade gloriosa no sentido de que acaba com a miséria absoluta, gerando uma desigualdade no acesso a informação e vivências que matam a fome incessante de quem é humano e que transcende a qualquer movimento impositivo do Comunismo.

Peitou as empresas americanas que exploravam seu país.

Os Socialistas, em muitos aspectos, têm esquecido que há um bem valioso que, em sendo prejudicado, muda tudo de figura: a liberdade; enquanto vertente substanciosa de intelectuais que endossam a ideia lutar contra ela sob o pretexto de a ela chegar, será sempre assim: um fiasco. Dá-se a vida na guerra, por liberdade. Fala-se em ceifar a vida mesmo no útero, por liberdade. Sente-se raiva, ódio, faz-se então complô, por liberdade. Por isso a democracia é tão bem aceita e celebrada, mesmo com seus defeitos patentes.

Fidel pecou quando assumiu a posição de ditador – e a sua postura e de outros como ele será lembrada agora nas urnas da Europa, de todos os continentes.

Conheci pessoas que foram encarceradas pelo regime que ele fundou. Gente que ansiava o que conseguiu em outro país: certo grau de liberdade, essa utopia que só se plenifica no pensamento, mas que, como toda utopia, nos tira do lugar.

Desejo ir a Cuba e conhecê-la antes da abertura econômica, antes que a dose de liberdade que lhe falta – e que o inteligente Fidel tolamente não soube dar-lhe porque ela é a maior inimiga dos tiranos.

 

Petrolina, Pernambuco, Brasil, 26 de novembro de 2016

 

Fabio Sousa

Psicanalista, escritor.



Se Viado Não Fosse, Viado Seria

Por Fabio Sousa, 31/10/2016



Numa viela escura do Rio de Janeiro, uma mulher desponta como a mais bonita: sua peruca loira que lhe cai tão bem, o vestido sensualmente decotado e grudado ao corpo qual se fora segunda pele demonstrando todas as curvas lascivas que delineiam jeito, sorriso, olhar matador. O nome dela: Rogério.

Prostitui-se: está acostumada a sair com deputados e vereadores, jogadores de futebol e até padres, mas não podia contar que um bispo de igreja protestante, Marcelo, fosse agradar tanto ao seu coração vagabundo quanto ela ao dele. O religioso: homem branco de cabelos negros, mais de 50 anos, conhecido nacionalmente pela moral impecável e recato familiar tradicional.

Tudo começou quando, certa madrugada, um carro com vidros fumê parou, baixando alguns centímetros seu vidro dianteiro de motorista, de onde Rogério viu Marcelo lançando-lhe um olhar de cupidez com estranha sede, ao mesmo tempo que exibia pureza na fala:

- Entra.

- Não é assim, não, cara! Tem que combinar o preço...

- Entra que não posso ficar muito tempo aqui. Te pago bem – e mostrou um calhamaço de dinheiro avolumado em notas de cem reais que fez Rogério lembrar do apartamento que havia comprado recentemente e desejava reformar.

Rogério entrou no carro de Marcelo sem cerimônias, e, quando as luzes se acenderam para que pudessem acertar os detalhes do encontro, ela o reconheceu, exclamando num susto de mulher que leva a mão à boca enquanto grita:

- Marcelo X!...

A mãe de Rogério era fã de Marcelo, tinha fotos dele na parede e assistia a todos os seus cultos das sextas-feiras na televisão. A vida era curiosa: Rogério sempre admirara seu olhar manso, seus modos de cordeiro e imaginava qual seria o tamanho do seu dote.

Aquela foi uma madrugada de sexo frenético numa mansão encravada nas serras do Rio – e Rogério entendeu por que Marcelo criticava tanto a homossexualidade em suas pregações, fazendo referência a valores heterossexuais que exibia na sua vida conjugal estampada nas fotografias de jornais e revistas. Havia uma ânsia em Marcelo para colocar fora as inspirações eróticas que era obrigado a esconder de tudo e de todos; era possível identificar o fogo santo a corroer-lhe a intimidade, que faminto se voltava para o corpo delicado e com seios abundantes siliconados de Rogério, ardendo geral. As mordidas de Marcelo pareciam a de um felino no cio; as lambidas, as de um canino feliz; os gemidos, os de um cordeiro imolado.

Havia uma conexão espiritual entre eles – e qual não foi a agonia de Marcelo ao perceber que estava apaixonado... Seduziu Rogério de todos os modos, até que ela caísse aos seus pés. Queria que ela usasse um nome social, ao que Rogério não cedeu (era uma questão de honra mostrar que gênero e identidade podiam ser mais complexos do que o vulgo imagina); queria que ela parasse de fazer programa, pois ele a sustentaria (ela ia mesmo assim de vez em quando, afinal, e se esse senhor, de uma hora para outra, a abandonasse, com o que haveria de comer?...); presenteava-lhe com joias caras de profunda beleza; roupas, sapatos de grife também não faltavam... Até que Rogério ameaçou reivindicar publicamente o seu amor.

O Apocalipse foi anunciado.

- Eu vou mandar te matar, Rogéria!

- Manda! Manda, safado! Manda que já deixei carta escrita e a Sabrina já sabe de tudo para abrir o bico!

- Tu não me desafia, Rogéria!

- Para de me chamar de Rogéria, viado! Meu nome é Rogério! Rogério!!!

- Para de me chamar de viado, porra! – E deu um tapa na cara da amante, com tal força que ela caiu entre os sofás, chorando. – Meu amor, você sabe que eu não posso escandalizar... O Bispo X já me garantiu candidatura para as eleições do ano que vem...

Marcelo tentou, então, alisar a face de Rogério, que numa cena patética tinha escorrido o rímel que a enfeitava...

Num ímpeto de fúria, Rogério levanta, enfurecida no seu salto trinta.

- Vai pra tua família, viado da igreja! Vai pros teus filhos, filho da puta! – E chorava, e gritava, e lançava nas paredes jarras de mais de dois mil reais... – Viado! É isso que tu é: viado e covarde!!!!

- Para de me chamar de viado, sua safada de merda!!! – E foi em cima dela, e esmurrou, e chutou, e bateu...

Arrasada, caída ao lado da janela que exibia após o vidro escurecido as belas paisagens da costa do Rio de Janeiro, com seu mar e montes soberbos, Rogério ainda teve força de exclamar, enquanto o bispo Marcelo pegava sua Bíblia em cima da mesa, colocava na sua pasta e saía, pedindo que ela refletisse:

- Viado! Tu é viado, Marcelo! Se viado não fosse, viado seria!

 

Fabio Sousa

Escritor, psicanalista, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência



Jheny, a Macaca que Viraria Mulher

Por Fabio Sousa, 31/05/2016



Eu estava nos céus da Europa, numa colônia espiritual acima do território português, em residência de amigo de longa data.

Discutíamos a respeito da Ciência e de seus avanços na Terra – e ele aproveitava para deixar-me a par de suas novas pesquisas no campo da evolução do Espírito. Disse-me o cupincha que estava a testar uma metodologia para fazer com que os princípios inteligentes dos animais já em certo nível evoluíssem a ponto de reencarnar como seres humanos nos mundos primitivos. Levou-me até um cômodo onde uma tela supernítida ia desdobrando as imagens concernentes a sua investigação em epígrafe, utilizando efeitos 3D, quando ele parou na imagem de Jheny, uma chimpanzé sorridente. Questionei-lhe:

- Conseguiu fazer com que ela tivesse a inteligência de uma criança de 4 anos na Terra?

Para minha surpresa, ouvi em resposta:

- Não. Fiz com que ela alcançasse fora do corpo 72 anos de inteligência nos padrões da média terrena.

Fiquei estupefacto, ao mesmo tempo que sua esposa, auxiliar de pesquisa e também reencarnada em nosso orbe, trazia Jheny até mim – e ela trajava um vestido de idosa num azul celeste lustroso e perucas ruivas, conversando claramente de modo a denotar sua Inteligência compatível a de uma mulher vulgar de 70 anos no planeta.

Entabulei diálogos com Jheny a fim de auferir seu intelecto, sempre intimamente espantado com o feito do companheiro de tantas lutas e aprendizados. Queria saber os detalhes da técnica que, para mim, significava um avanço e uma resposta ao problema da evolução no reino animal.

Aquilo inundou-me de conjecturas mil, quando C., meu camarada, invocou-me para, nas redondezas de sua casa, à beira de um rio e próximo a uma ponte curta e graciosa, feita de elementos transparentes qual se fosse plástico resistente e ultramoderno, falarmos mais a respeito do tema e de seus avanços no intento de acelerar o desenvolvimento das almas dos animais no mundo espiritual.

Percebendo que a emoção tomava-me diante do que havia observado e das consequências que eu apreendia daquele processo, C. tirou do seu casaco um exemplar de livro apenas existente no plano etéreo, colocando-o em minhas mãos.

- Você não conhece meu estudo a respeito dos fundamentos biopsíquicos da inteligência?... – inquiriu-me C.

- Claro que sim! - respondi-lhe, ao tempo que observava na capa uma imagem em holograma móvel de Jheny ainda macaca.

Meditando, num átimo, sobre a precariedade da Ciência terrestre e na sua multidão de produções improfícuas e até vazias, no Amor cósmico e na interligação dos seres no Universo, pranteei qual infante, sem que pudesse controlar as lágrimas que me corriam pela face agradecida diante da beleza de Deus.

Foi quando X, esposa de C., chegou de repente e perguntou-lhe:

- Querido, a Câmara Secreta de Jheny está aberta, foi você quem a deixou assim ou ela?...

Olhei peculiarmente para C. e afirmei:

- O surgimento da religião...

Obtive um balançar de cabeça afirmativo...

 

Fabio Sousa

Escritor, psicanalista, pedagogo, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência



Self

Por Fabio Sousa, 26/01/2016



Os junguianos entenderão.

 

Self self self self

self Self self self

self self Self self

self self self Self

 

Fabio Sousa

Escritor, psicanalista, pedagogo, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência



O amor na vida de um babalorixá

Por Fabio Sousa, 21/01/2016




“Oni saurê, Aul axé
Oni saurê Oberioman
Onisa aurê, Aul axé Baba
Onisa aurê Oberioman (...)”[1]

 

Vi, postada por um babalorixá que amo pela ligação que temos de alma a alma, uma matéria que fala do exame de DNA feito pelo arquiteto negro Zulu Araújo, que então descobriu vir da etnia dos tikar, estabelecida em Camarões. Como mostra a BBC Brasil, Zulu fora até a África conhecer o povo de onde nasceu sua linhagem principal – e questionar ao rei local algo muito peculiar: por que os próprios africanos haviam consentido e facilitado a escravatura negreira? O monarca, envergonhado, responde, apenas no dia seguinte ao questionamento, que se não tivessem feito isso, todos teriam morrido...

O post, precedido da frase “também queria saber!”, soou ao meu coração como prelúdio de banzo, e, possuído do instinto de proteger àqueles que queremos bem, passei a indagar:

O que seria de mim, de nós todos que somos seus filhos e netos de santo, se não fosse o senhor?... Será que consegue dimensionar o valor da sua existência para cada um daqueles que estão sob o seu acolhimento, todo envolto de axé?...

Os negros foram trazidos da África, num dos capítulos mais vergonhosos da história da humanidade, por cristãos que paradoxalmente prenderam, torturaram, animalizaram e mataram seus “próximos”... Recordo do quanto tenho aprendido de cristianismo no seu Terreiro: disciplina, respeito, acolhimento de desvalidos e rejeitados pela sociedade, valorização do senso de família, amor aos humanos e aos outros animais, às plantas, devotamento mesmo diante de pedradas, resiliência no bem. De fato, nunca tinha visto tanta demonstração de Evangelho como ali e nos outros que visitei, também acompanhado pelo senhor...

O que seria do Brasil sem a força do axé?... Que espécie de amálgama distorcido teríamos forjado sem a valorosa presença do negro na construção deste país?...

O que seria dos negros sem os orixás, que, em sua infinita misericórdia, mesmo diante de crime tão hediondo como a escravidão, fizeram brotar como presente a todos nós o Candomblé, onde tanta gente vai saciar-se para não morrer de sede?

Olorum nos regalou quando reuniu, potencializando sua força, todos os orixás nos Terreiros brasileiros, havendo eles estado dispersos nos cultos das nações africanas! Orunmilá foi – como sempre – sábio ao deixar para nós cada babà e iyalorixá, que como Mãe Stella de Oxóssi (a de Petrolina mesmo), Mãe Maria do Tempo, dentre milhares de outr@s, vêm conduzindo com abnegação a espiritualidade dos milhões que precisam deles...

Olodumaré conta, querido babà, cada ebò tirado pelo senhor, cada lágrima derramada na missão de sacerdócio que desempenha, todos os gestos de desprendimento e de amor, a infinidade de sorrisos que o senhor já fez brotar nos lábios de gente de todas as etnias que buscam as suas bênçãos...

Sendo assim, se é permissível enxergar neste crime horrendo da servidão dos africanos o lado egoístico de seu resultado, quero pedir agô[2] ao senhor para agradecer aos orixás pela sua presença no Brasil, e, em sua figura, homenagear a todos os negros, mulatos, caboclos, cada ogã[3], cada ekède[4], babà e iyalorixá que fortalecem as fibras desta nova nação forjada pelos seus braços firmes – e prometer que, sob as bênçãos de Iansã, a quem o senhor devotou sua vida atual, amado Jorge de Oyá, farei o que me for possível para diminuir a injustiça tremenda que ainda resta desse processo.

Motumbà[5], valoroso babalorixá! Parabéns pelos 14 anos bem vividos de obrigação no seu sacerdócio!

 

Fabio Sousa

Escritor, psicanalista, pedagogo



[1] Canto a Oxalá. TRADUÇÃO:

Rei/Senhor do céu, de Energia, Força e Suprema Verdade
Rei/Senhor que continua vivo espiritualmente
Rei/Senhor dos Céus, Pai do Plano dos Orixás 
Sua Verdade é Suprema

 

[2] Licença, desculpa.

[3] Espécie de protetores, dentre outras funções que exercem nos terreiros .

[4] Tipo de cuidadoras dos orixás.

[5] Pedido de bênção.


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Fabio Sousa

Escritor, Psicanalista, autor do livro Peregrinação Interior: Transcendência.

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